domingo, 31 de janeiro de 2010

pelo menos eu te abracei
a maior parte do tempo da sua dor
depois terminou
agora só terminou para você.
minha vagina chora.
é difícil não ter em quem pegar
não ter em quem apoiar os olhos náufragos
não ter quem abraçar desesperadamente.
não sei te amar, não sei porque você pediu mais dinheiro,
não me conheço mais, me perco,
quero que façam meu horóscopo, que digam "você é assim",
goste-se ou reeduque-se, como é que vou gostar?
de mim, de você?, não persegue um assunto, diz
"boa tarde", não diz com oantigamente "não chora".
vi mulheres lindíssimas que eu pensei
estarem com você
quando a sua cabeça se liquifaz
e aquela inadaptação constumeira
me golpeia.
fiquei caída na calçada,
beijando cacos musgo
e poeira úmida.
a dúvida não existe:
você não está/ella tampouco.
todos que tiveram que se atrasar já se atrasaram?
essa lebre pulando jogou sangue na calçada?
acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três outros rostos que amei
num delírio de arquivística
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos.
estar aí do outro lado e ouvir teus ais e acreditar
que mando neles e eles só em mim e que na hora
do nosso nascimento
o céu regia este momento.
me assuto a ponto de tropeçar no meio-fio,
atropelável,
mesmo porque nem mesmo a tua mão solta no meu
rosto,
reconfirmando amor, poderia
sossegar
garantir.
porque isto não me ocorre com ninguém
é só com você que
tenho a dor de ter quebrado.
sabereis então que hoje, nesta noite, diante desta gente,
não há ninguém que me interesse e meus versos
são apenas para extamente essa pessoa que
deixou de vir.

sábado, 30 de janeiro de 2010

adiar todas as providências
e tomar pílulas desta voz lindíssima.
aproveitar a manhã e pensar e querer
os garotos subindo as montanhas
em suas bicicletas
vendo lagos borboletas e brilhos
como eu vejo
tenho vergonha de não me pertencer
Pensei em visitar Rafael mas estou sem moral agora. Sério mesmo? Eu detesto essas janelas na frente. um dia arrumo uma cortina. Vontade: falar mais com a Cristina. caderno. Cinelândia ventando. Ventando. Desejei muito estar na casinha da Lulu em Rio Claro, na varanda na grama, olhando as plantas verdes e deixando a mente fluir. Desejo papel para desenhar. Desejo desenhar. Foi muito bom me levar para passear.
Pôxa, não vejo Rafael há uma semana e um dia. Como será que ele está? Droga. esta casa é cheia de baratinhas. Que triste. fiquei triste com essas baratinhas. tantas. Matei três. Ah, tô triste. caderno.
Na outra guerra, com o bush pai a tia Lulu tava viva. faltam 15 dias pro niver do Rafinha. Dia 03. Sonhei, outro dia, com minha mãe comigo comprando material para arte. Sonhei isto.
Hoje está sol, mas não está calor.
Liguei para minha irmã pra saber do Rafael. Ele estava dormindo. O niver dele é dia 29. Ela me convidou para fazer os bolos e escolher a festa dele, os enfeites. fiquei contente. Apesar de ter acordado muito mal por estar sonhando de novo com minha vida melhor, estudar, lutar, me desvencilhar das humilhações cotidianas. Ser forte. fui ao mercado. gente a bessa na rua. agora a chuva. Acho que vai cair uma chuva pesada. Mas não vai ser já-já. ficou boazinha porque fez análise. Status. Ela disse para eu ir almoçar lá. Eu evitei de ir lá para ficar à toa. Mas eu tenho receio que a gente brigue. No fim da semana eu vou lá. Para fazer os bolos. E brigadeiros. Pro Rafinha.
não me incomodar mais com o meu jeito, sobretudo não me olhar mais; se me olho sou dois.
sou: muito problemática mesmo.
me ocupo do que não importa.
sinto
sinto o resto deixado pra mim.
recupero carmas familiares.
tenho muito pra fazer.
acho que eu tô sofrendo
mas não é pra parar e sentir pena de mim.
sujeira e frescura.
na dúvida, fiquei em sobressalto.
não chamo isso de alerta porque me sinto em dor.
uma infância hedonista
pesa no corpo.
culpa tatuada
e mortificação
continua.
com prazer deixado
pro final.
....
porque estou sofrendo?
se posso levar a vida e mais ou menos já sei o que ou como fazer as coisas.
será lidar com pessoas próximas me deixa assim?
Poderemos de outra feita, fazer sexo entre livros, cortazar, maquiavel, balzac, jean paul sartre, olhando rosas cor de pêssego, papoulas e rosas rubras, folhagens e ouvir no teto a chuva e no som o cave.
podiamos ir na chuva, fugir dos pingos nos pastéis da praça quinze.
ah! dividir um cobertor quentinho eu pelada você peladinho encaixados feito bebê.
te dar leite e iogurte.
amo você me dar isso.
te compro de novo?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Estava aqui pensando com os meus botões, estou no Rio de Janeiro, estou sozinha, quero ir para Rio Claro. Quero me esquecer.
Entretanto, continuo por aqui.
Estou aqui enchendo a doutora de prestígio. Nosso negócio nunca vai pra frente. E somente isso.
Nem um pró-labore.
Não consigo chorar, mas tenho vontade.
Segunda feira é amanhã.
Quero dormir mas não consigo.
Quero chorar.
Telefonei para a Cristina. Ela ficou feliz e falou meu nome com alegria "Marta!". Ela teve um bebê e se casou. vamos nos encontrar. Vou mostrar meus textos e desenhos.
Falamos do muti. Ela disse "Engraçado, você se defendia das outras pessoas, mas não se defendia dele." Ela também ficou contente com o bebê da minha irmã.
Ontem falei com a Cris. Fui convidada para visitar a casa dela no Leblon. E vou ir com meu vestido azul novo e meu sapato vermelho e azul novo. Anel, brinco. E pulseira talvez.
eu roubei de você
algumas das suas migalhas
com a minha mão trêmula
e parecida
com um pé de corvo
eu puxei suas migalhas
para perto de mim.
e olhei...
mastiguei...
e olhei...
e você estava intoxicado.
alguns nós não desatam.
sinto-me descolar do fundo.